A alopecia frontal fibrosante (AFF) é uma doença inflamatória que pode causar perda permanente dos folículos capilares, sobretudo na linha de implantação dos cabelos na testa e nas têmporas. Também é conhecida como alopecia fibrosante frontal. Reconhecer os sinais precocemente é importante porque o tratamento procura, principalmente, impedir que a área afetada continue aumentando.
Embora tenha sido descrita inicialmente em mulheres após a menopausa, a condição também ocorre antes desse período e em homens. A doença não é contagiosa. Nem toda perda de cabelo na parte frontal da cabeça significa AFF: existem outras causas com tratamentos diferentes.
O que os estudos mostram sobre o tratamento?
Na alopecia frontal fibrosante, o principal objetivo do tratamento é impedir que a perda de cabelo continue aumentando. Um estudo de revisão publicado em 2024 reuniu pesquisas sobre dutasterida e encontrou resultados favoráveis em parte dos pacientes [1]. Como muitas pessoas utilizaram também outros tratamentos, não é possível atribuir toda a melhora a um único medicamento. A escolha depende da atividade da doença e dos possíveis riscos. Conheça também a avaliação capilar em Curitiba.
O que é alopecia frontal fibrosante?
É uma forma de alopecia cicatricial: a inflamação atinge estruturas do folículo piloso e, com a evolução, pode substituí-las por tecido fibroso. Isso explica por que fios perdidos em áreas já cicatrizadas geralmente não voltam a crescer. A AFF apresenta características relacionadas ao líquen plano pilar, outra doença inflamatória dos folículos.
Quais são os principais sintomas?
- Recuo progressivo da linha frontal: a testa parece ficar mais alta, muitas vezes com rarefação nas têmporas.
- Perda de pelos das sobrancelhas: pode surgir antes da alteração no couro cabeludo.
- Vermelhidão ou descamação em torno dos fios: sinais de inflamação que o dermatologista pode observar.
- Coceira, ardência ou sensibilidade: alguns pacientes apresentam sintomas, mas outros não sentem desconforto.
- Fios isolados na antiga linha de implantação: o chamado sinal do “cabelo solitário” pode auxiliar no reconhecimento.
A intensidade dos sintomas não determina, sozinha, o grau de atividade. Fotografias padronizadas e exame periódico ajudam a identificar mudanças discretas ao longo dos meses.
O que causa alopecia frontal fibrosante?
A causa exata continua desconhecida. Pesquisas investigam predisposição genética, alterações imunológicas, fatores hormonais e exposições ambientais. Associações observadas em estudos com cosméticos e outros produtos não provam que eles causem a doença. Não existe justificativa científica para culpar um produto específico ou interromper, sem orientação, cuidados habituais da pele.
Como é feito o diagnóstico?
O dermatologista avalia o padrão da perda capilar, as sobrancelhas, a presença de inflamação e o histórico de progressão. A tricoscopia, exame ampliado do couro cabeludo, ajuda a observar a ausência de aberturas foliculares, alterações perifoliculares e sinais de outras doenças. Em casos duvidosos, uma biópsia do couro cabeludo pode ser indicada para relacionar os achados microscópicos aos sintomas e ao exame clínico. O exame ampliado do couro cabeludo pode ajudar a reconhecer padrões de queda e inflamação. Entenda a tricoscopia capilar.
Entre os diagnósticos que precisam ser diferenciados estão alopecia androgenética, alopecia por tração, alopecia areata e outras alopecias cicatriciais. Algumas dessas condições podem coexistir com a AFF.
A alopecia frontal fibrosante tem cura?
Atualmente, não há tratamento comprovado que reverta a cicatrização de folículos destruídos. Entretanto, controlar a atividade inflamatória e estabilizar a progressão é possível em parte dos pacientes. A resposta varia conforme o estágio da doença, a atividade inflamatória, as características individuais e o tratamento utilizado.
Quais são os tratamentos disponíveis?
Não existe uma medicação única adequada para todas as pessoas. O tratamento é individualizado, geralmente combina medidas locais e sistêmicas e exige avaliação de contraindicações e acompanhamento.
Corticosteroides e medicamentos tópicos
Corticosteroides tópicos ou aplicados por infiltração na região inflamada podem ser utilizados em situações selecionadas. Outros cremes medicamentosos para controlar a inflamação também podem ser utilizados em situações específicas. Esses medicamentos podem atuar na inflamação, mas não recuperam folículos que já foram substituídos por cicatriz.
Finasterida e dutasterida
Medicamentos como finasterida e dutasterida podem ser considerados em alguns casos. Um estudo de revisão publicado em 2024 encontrou sinais de que a dutasterida pode ajudar a frear o avanço da perda capilar [1]. Como muitos pacientes usavam mais de um tratamento, os resultados precisam ser interpretados com cautela. Esses medicamentos exigem prescrição e avaliação de riscos, especialmente em relação à gestação.
Hidroxicloroquina
A hidroxicloroquina é um medicamento que pode ajudar a controlar a inflamação em situações selecionadas. Um estudo experimental comparou seu uso com o da finasterida e observou melhora nos dois grupos, sem demonstrar que um tratamento fosse claramente melhor que o outro [2]. A escolha depende das condições de saúde de cada pessoa e pode exigir exames de acompanhamento, inclusive dos olhos.
Minoxidil e outras abordagens
O minoxidil pode ser considerado para melhorar a densidade de fios preservados, especialmente quando existe alopecia androgenética associada, mas não trata sozinho a inflamação cicatricial. Retinoides e outras terapias imunomoduladoras foram investigados em séries clínicas; para intervenções como inibidores de JAK, plasma rico em plaquetas e transplante capilar, os dados específicos para AFF ainda são limitados ou insuficientes para uma recomendação geral. O transplante, quando cogitado, depende de avaliação especializada e pode apresentar perda posterior dos fios transplantados se houver reativação.
Como saber se a doença está controlada?
A ausência de progressão da linha frontal ao longo do acompanhamento é um parâmetro central. O médico também considera fotografias seriadas, medidas clínicas, tricoscopia, sintomas e sinais de inflamação. A melhora da coceira isoladamente não significa, necessariamente, estabilização completa.
Quando procurar um dermatologista?
Procure avaliação ao notar recuo persistente da linha frontal, perda de sobrancelhas, rarefação acompanhada de vermelhidão ou descamação ao redor dos fios, ou mudança progressiva da implantação capilar. A investigação precoce é especialmente importante nas alopecias cicatriciais, porque a prevenção de novas perdas costuma ser mais realista do que a recuperação das áreas já afetadas.
Em Curitiba, a avaliação da queda capilar pode incluir exame dermatológico e tricoscopia, conforme a necessidade clínica. Conheça também a página sobre mapeamento capilar com tricoscopia e as informações sobre consulta especializada em queda de cabelo.
Perguntas frequentes
A alopecia frontal fibrosante é hereditária?
Existe evidência de predisposição genética, mas a doença não segue uma regra simples de herança familiar. Ter parentes acometidos não significa que uma pessoa necessariamente desenvolverá AFF.
O cabelo volta a crescer com o tratamento?
Quando o folículo foi destruído pela cicatrização, o crescimento espontâneo é improvável. Em áreas não cicatrizadas e em condições capilares associadas, pode haver melhora, mas a principal meta do tratamento da AFF é estabilizar a perda.
Quem tem alopecia frontal fibrosante pode fazer transplante?
Em geral, não é uma indicação imediata. É necessário avaliar a estabilidade da doença e discutir o risco de novo comprometimento dos folículos transplantados, já que a evidência ainda é limitada.
O que um estudo de revisão encontrou sobre dutasterida?
Uma análise de 7 estudos, com 366 pacientes com alopecia frontal fibrosante, encontrou estabilização da perda capilar em aproximadamente 62,8% dos participantes tratados com dutasterida. Em outras palavras, cerca de 6 em cada 10 tiveram a progressão da doença controlada durante o acompanhamento. Como os estudos utilizaram métodos diferentes e muitos observaram pacientes sem uma comparação direta com outro tratamento, esse número não representa uma garantia de resultado para cada pessoa [1]. Na avaliação em tricologia em Curitiba, o objetivo é verificar se ainda existe inflamação e qual abordagem pode ajudar a preservar os fios restantes.
O que mostrou a comparação entre finasterida e hidroxicloroquina?
Em um estudo que acompanhou 34 mulheres durante 6 meses, as participantes que utilizaram finasterida e as que utilizaram hidroxicloroquina apresentaram melhora na avaliação da doença e no exame ampliado do couro cabeludo. O estudo não demonstrou que um dos medicamentos fosse claramente superior ao outro. Como poucas pessoas participaram e também foram utilizados tratamentos aplicados diretamente na pele, os resultados precisam ser interpretados com cautela [2]. A escolha do medicamento depende do histórico, dos riscos e da avaliação dermatológica.
Texto informativo para pacientes, elaborado com apoio de revisão de literatura. Não substitui consulta dermatológica. As possibilidades terapêuticas citadas não constituem prescrição individualizada. Conteúdo em revisão médica antes da publicação.
Referências
- Seo HM, Oh SU, Kim S, Park JH, Kim JS. Dutasteride in the treatment of frontal fibrosing alopecia: systematic review and meta-analysis. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2024;38(8):1514-1521. doi:10.1111/jdv.19802. PMID: 38357767.
- Saber M, Farokhshahi M, Naeini FF, Mohaghegh F, Asilian A. Clinical effectiveness of finasteride versus hydroxychloroquine in the treatment of frontal fibrosing alopecia: a randomized controlled trial. J Cosmet Dermatol. 2024;23(2):576-584. doi:10.1111/jocd.15993. PMID: 37691183.

